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Entorse de tornozelo: tipos, tratamento, reabilitação e prevenção de novas torções

Dr. Danilo CândidoFisioterapeuta Quiropraxista especializado em Dor e ColunaLeitura de 5 min
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Pisar em falso, cair de um salto ou apoiar o pé em uma superfície irregular pode fazer o tornozelo virar e provocar uma entorse. A dor e o inchaço assustam, e logo surgem perguntas sobre fratura, necessidade de imobilização e tempo para voltar a caminhar ou praticar esporte.

A gravidade varia bastante. Algumas lesões permitem uma retomada mais rápida das atividades; outras precisam de proteção e acompanhamento mais prolongado. Avaliar a lesão e completar a reabilitação ajuda a recuperar o movimento, a força e a segurança do tornozelo, inclusive quando a dor inicial já diminuiu.

O que é uma entorse

A entorse é uma lesão dos ligamentos, estruturas que conectam os ossos e ajudam a controlar o movimento da articulação. Quando o pé vira além da capacidade desses tecidos, pode haver desde um estiramento com pequenas lesões até uma ruptura mais importante.

A forma mais comum envolve o pé virando para dentro, com maior exigência sobre os ligamentos da parte externa do tornozelo. Também existem lesões da parte interna e da região entre a tíbia e a fíbula, chamada sindesmose. Essas situações podem exigir estratégias e tempos de recuperação diferentes.

O que significam os graus da lesão

De forma geral, o grau leve descreve uma lesão menor das fibras, com menor perda funcional. No grau intermediário, existe comprometimento maior ou ruptura parcial, geralmente com mais dor, inchaço e dificuldade para apoiar. Nas lesões graves, pode haver ruptura completa de ligamentos e maior instabilidade.

Essas descrições ajudam a organizar o cuidado, mas o grau não deve ser definido apenas pelo tamanho do roxo ou por uma fotografia. A avaliação considera o mecanismo da torção, o exame físico e a possibilidade de lesões associadas. Dor intensa pode dificultar os testes no início e tornar necessária uma reavaliação.

Sintomas e necessidade de investigar fratura

Dor, aumento de volume, hematoma e dificuldade para caminhar são comuns após uma entorse. O local do sintoma ajuda a direcionar o exame. Também é importante saber se a pessoa conseguiu apoiar o pé depois da lesão e se há sensibilidade em regiões ósseas específicas.

Fraturas, lesões de cartilagem e outras alterações podem acompanhar uma torção. Por isso, incapacidade para apoiar, dor óssea importante e deformidade precisam de avaliação. O profissional utiliza critérios clínicos para decidir quando uma radiografia ou outro exame é necessário. Não é seguro concluir que foi apenas uma entorse porque o pé ainda consegue se mover.

O que fazer no começo

Proteja a região de novas torções e reduza as atividades que provoquem dor importante até receber orientação. Elevar o pé pode ajudar no controle do inchaço. Uma compressa fria protegida por tecido pode proporcionar alívio em algumas pessoas; não deve causar queimadura, dormência persistente ou contato excessivo com a pele.

Conforme a gravidade, pode ser indicado suporte com tornozeleira, auxílio para caminhar ou imobilização por um período orientado. A necessidade depende da lesão e das condições da pessoa. O tratamento não se resume a esperar o inchaço desaparecer: o plano deve definir quando e como retomar o apoio e o movimento com segurança.

Como a fisioterapia participa da recuperação

Nas lesões em que o quadro permite, o movimento e o apoio são retomados de forma progressiva. A reabilitação trabalha a mobilidade do tornozelo, o controle do inchaço, a marcha e a força dos músculos que ajudam a estabilizar a região. As tarefas são escolhidas de acordo com a fase da recuperação.

Depois, exercícios de equilíbrio e controle do apoio ganham importância. Quando você fica em uma perna ou precisa reagir a uma mudança de direção, o sistema nervoso e os músculos usam informações sobre a posição do pé para ajustar o movimento. Esse controle também precisa ser treinado após uma lesão.

Para quem pratica esporte, o programa avança para tarefas como correr, saltar, aterrissar e mudar de direção. O objetivo é preparar o tornozelo para o que será exigido, em vez de liberar a atividade apenas porque caminhar dentro de casa ficou confortável.

Por que algumas pessoas continuam virando o pé

Depois da fase aguda, pode permanecer perda de mobilidade, força ou controle do apoio. Algumas pessoas passam a sentir que o tornozelo falha ou fica inseguro em terrenos irregulares. Lesões repetidas também podem levar a maior instabilidade e dificuldade para voltar ao esporte.

Se isso acontece, vale reavaliar o tornozelo e completar um programa de reabilitação. Diminuir a dor é um avanço importante, mas não significa que todas as capacidades necessárias para o movimento já foram recuperadas. Em alguns casos, também é necessário investigar lesões associadas.

Como acontece a volta ao esporte

O retorno considera a dor, o inchaço após as atividades, a mobilidade, a força, o equilíbrio e a tolerância a tarefas específicas. A confiança para apoiar o pé também entra nessa decisão. O calendário ajuda a organizar o cuidado, mas a liberação precisa acompanhar a evolução do tornozelo.

A participação pode começar com treinos adaptados e avançar até movimentos mais rápidos e situações imprevisíveis. Em determinados esportes e históricos de lesão, uma tornozeleira pode ser discutida como apoio à prevenção, junto com os exercícios. Ela não substitui o preparo da região.

Como reduzir o risco de novas entorses

Mantenha o trabalho de força e equilíbrio depois de melhorar. Prepare-se gradualmente para atividades com saltos e mudanças de direção e considere as condições do terreno e do calçado. Após um período parado, retome o condicionamento antes de voltar diretamente à intensidade habitual.

Procure atendimento rápido se houver deformidade, perda de sensibilidade, pé frio ou alteração de cor, ferida importante ou incapacidade para apoiar após o trauma. Dor que não melhora como esperado, bloqueio da articulação e sensação frequente de falseio também precisam ser investigados. O acompanhamento permite tratar a lesão atual e preparar o tornozelo para as próximas atividades.

Referências científicas

  1. 1.Martin RL et al. (2021). Ankle Stability and Movement Coordination Impairments: Lateral Ankle Ligament Sprains Revision 2021. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy.https://doi.org/10.2519/jospt.2021.0302
  2. 2.Wagemans J et al. (2022). Exercise-based rehabilitation reduces reinjury following acute lateral ankle sprain: A systematic review update with meta-analysis. PLOS ONE.https://doi.org/10.1371/journal.pone.0262023
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