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Dor na parte de fora do cotovelo: entenda a epicondilalgia lateral e seu tratamento

Dr. Danilo CândidoFisioterapeuta Quiropraxista especializado em Dor e ColunaLeitura de 5 min
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Pegar uma panela, carregar uma sacola, apertar uma ferramenta ou levantar um objeto com a palma voltada para baixo pode provocar dor na parte de fora do cotovelo. Uma causa comum desse tipo de queixa é a epicondilalgia lateral, também conhecida como epicondilite lateral ou cotovelo de tenista.

Apesar do nome popular, você não precisa jogar tênis para ter o problema. Ele pode estar relacionado a tarefas profissionais, exercícios, atividades domésticas ou mudanças na quantidade de uso da mão e do antebraço. O tratamento procura aliviar os sintomas e recuperar a capacidade para essas tarefas.

Qual região está envolvida

Na parte de fora do cotovelo existe uma pequena saliência óssea chamada epicôndilo lateral. Próximo dela se fixam tendões de músculos que ajudam a movimentar e estabilizar o punho. Quando você segura algo com firmeza, esses músculos participam do controle da mão e do antebraço.

Na epicondilalgia, essa região fica dolorosa e pode perder tolerância ao esforço. A pessoa costuma perceber sensibilidade ao toque e dificuldade para fazer força de preensão, que é a força usada para apertar e segurar objetos. O termo tendinopatia também pode ser utilizado quando se descreve a participação dos tendões nesse quadro.

Por que a dor pode começar

Repetir uma tarefa mais vezes, aumentar o peso dos exercícios ou trabalhar por longos períodos sem recuperação pode contribuir para o início dos sintomas. O problema também pode aparecer após uma atividade diferente da habitual, como uma reforma em casa ou uma mudança na rotina de trabalho.

Isso não significa que o braço ficará sensível para sempre ou que qualquer movimento repetitivo precisa ser abandonado. A avaliação ajuda a entender quais exigências estão acima da tolerância atual e como reorganizá-las enquanto o antebraço recupera força e resistência.

Quais sintomas são comuns

A dor tende a aparecer na parte externa do cotovelo e pode se espalhar por um trecho do antebraço. Segurar objetos, abrir tampas, usar ferramentas e erguer o punho contra resistência podem provocar incômodo. Em alguns momentos, objetos leves parecem mais difíceis de carregar por causa da dor.

É comum adaptar a forma de pegar as coisas para evitar o sintoma. Com o tempo, isso pode limitar tarefas importantes no trabalho e em casa. A perda de capacidade não precisa ser avaliada apenas pelo quanto dói em repouso, mas também pelo que você deixou de conseguir fazer.

Formigamento, dormência, dor que vem do pescoço e perda de movimento importante exigem uma investigação mais ampla. Outros problemas de nervos e articulações podem causar dor na região ou coexistir com a sensibilidade dos tendões.

Como é feita a avaliação

O fisioterapeuta investiga o início do quadro, as tarefas mais difíceis e mudanças recentes na rotina. O exame pode incluir movimentos do punho e do cotovelo, testes de força e tarefas de segurar ou levantar objetos. Quando necessário, pescoço, ombro e nervos do membro superior também são avaliados.

O diagnóstico costuma ser orientado pela história e pelo exame físico. Imagens podem ajudar em situações selecionadas, mas não são obrigatórias para todas as pessoas. Uma dor após queda, um bloqueio de movimento ou uma evolução diferente da esperada pode mudar a necessidade de investigação.

Como funciona o tratamento fisioterapêutico

Uma das primeiras medidas é ajustar a carga das atividades que mais provocam a dor. Isso pode incluir diminuir o peso, alternar tarefas ou usar as duas mãos temporariamente para carregar um objeto. A proposta é encontrar uma forma de continuar a rotina sem manter a região em irritação constante.

Os exercícios procuram recuperar a capacidade dos músculos do antebraço, especialmente daqueles que trabalham na estabilização e extensão do punho. A resistência e a dificuldade são aumentadas gradualmente. Conforme a necessidade, o plano também envolve força de preensão e exercícios para outras regiões do braço.

Técnicas manuais e bandagens podem ser usadas para complementar o alívio dos sintomas e facilitar atividades. Em algumas pessoas, uma faixa ou suporte pode proporcionar conforto temporário. Esses recursos precisam ser confortáveis e fazem mais sentido quando acompanham a recuperação da força e a organização da carga.

Preciso parar totalmente o trabalho ou a academia

Nem sempre. Pode ser possível adaptar a atividade enquanto o tratamento avança. No trabalho com ferramentas, por exemplo, vale observar o tempo de uso, a força para apertar e a possibilidade de alternar tarefas. Na academia, ajustes de carga, pegada e volume podem permitir manter parte do treino.

A orientação depende da intensidade do quadro e das exigências da atividade. Dor que aumenta progressivamente, modifica muito o movimento ou piora a função no dia seguinte indica que a tarefa precisa ser revista. O retorno à quantidade habitual deve acontecer de forma planejada.

O que pode ajudar no dia a dia

Ao levantar um objeto, aproximá-lo do corpo e usar as duas mãos quando necessário pode reduzir a exigência temporária sobre o braço dolorido. Organizar os objetos mais utilizados e fazer pausas nas tarefas mais repetitivas também pode ajudar a distribuir o esforço.

Evite apertar e testar a região várias vezes ao dia apenas para verificar se ainda dói. Isso pode manter o local sensível sem trazer uma informação útil sobre a recuperação. Prefira acompanhar tarefas concretas, como carregar uma sacola com mais conforto ou conseguir trabalhar por mais tempo.

Prevenção e quando procurar ajuda

Depois da melhora, mantenha o fortalecimento e aumente cargas novas aos poucos. Se uma tarefa vai exigir muito mais do antebraço do que o habitual, distribua o trabalho e observe a resposta. Essas medidas ajudam a preparar a região, embora não exista uma forma de eliminar completamente a possibilidade de novas crises.

Procure avaliação se a dor vem limitando o uso do braço ou retornando com frequência. Trauma com deformidade, incapacidade de movimentar, perda acentuada de força ou articulação quente e inchada com febre precisa de atendimento médico. Para os quadros graduais, a fisioterapia pode ajudar a organizar a retomada das atividades sem depender apenas de medidas de alívio.

Referências científicas

  1. 1.Lucado AM et al. (2022). Lateral Elbow Pain and Muscle Function Impairments. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy.https://doi.org/10.2519/jospt.2022.0302
  2. 2.Wallis JA et al. (2024). Manual therapy and exercise for lateral elbow pain. Cochrane Database of Systematic Reviews.https://doi.org/10.1002/14651858.CD013042.pub2
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